quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O que é bom é mensurável.

Dia chuvoso em Satolep. Dia de chegar em casa, na metade de um dia corrido, sentar para relaxar, esquecer do mundo lendo o jornal e, logo ao abrir, deparar-se com mais uma das maravilhosas e inspiradoras crônicas da Martha Medeiros (que, como sempre, sanou muitos dos meus questionamentos pessoais).

A gente vive se perguntando porque existem tantos eus dentro de um ser só. Tenho um eu que sente sono, mas outro que tem muita vontade de viver. Convivo com um ser sedento por trabalho, e outro que somente busca sossego e mais cinco minutinhos de sono. Uma parte pede mudanças, enquanto a outra grita alertando que tudo está certo e que melhorar o que já se é bom trata-se, praticamente, de utopia. Mas, entre tantos devaneios, eis que surgem as seguintes palavras... 

"Lar é onde cabem todos os eus que me habitam, não só o eu preguiçoso e indolente, mas também tudo que precede a ele... Férias só se justificam por serem provisórias, são fantásticas porque terminam. É essa consciência do finito que faz com que valorizemos cada segundo vivido."

Moda, clichê, ou seja o que for. Em uma geração em que tatuar ou usar acessórios com símbolo daquilo que não tem início nem fim tornou-se completamente normal, jamais paramos para nos questionar que grande parte das coisas boas da vida não são perpétuas. Para não dizer as melhores. De um lado contas sempre irão existir. Dor de cabeça é uma constante. Programa do Faustão parece ser eterno. A fome e a miséria não acabam. Mas... Nossos pais não duram para sempre. A faculdade um dia acaba. Aquele livro terminou.  Um beijo não é para sempre. Suas férias se findam. Amizades e relacionamentos se desfazem. A infância passa. Chocolate tem fim.

Não trato de enumerar tudo o que é finito para levar a pensar, a sentir saudades ou, até mesmo, revirar sentimentos já acomodados, mas sim é questão de valorizar. Descubra que o finito é bonito! O velho chavão de que "o que é bom dura pouco". Se não tivesse sido tão bom, aquele sorriso involuntário ou o apertinho no peito não viriam na carona da lembrança. Que graça tem aquilo em abundância? A vida é uma eterna lei de oferta e demanda... O menos sempre foi mais. O que é bom é limitado em tempo, mas duradouro na memória.

Stop! Permita-se tirar férias de si! Aperte o freio, esvazie a xícara, viva coisas novas, sinta o gosto daquilo que não é corriqueiro. Deixe começar. Dê licença para viver. E se necessário, admita acabar. Dê tempo ao senhor da sabedoria. A ele, o próprio, o tempo. Hoje sinto que é necessário limpar toda a bagunça, abandonar o que incomoda, jogar fora o que não presta mas, lembrando sempre que só foi tão bom porque era finito, colocando as emoções em seus devidos lugares. A graça está no que não estamos acostumados, então conviva com os diferentes eus que existem em você. Nada melhor do que ser tudo em um só! Rotina desgasta e cansa. É bom sair de si, conhecer o novo, e de alma limpa voltar para o nosso lar.  Mas, afinal, onde é o nosso lar?

*escrita sob medida para uma amiga em especiaL.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Mudar? Melhorar!

"Não tenho medo de mudanças, tenho medo de que as coisas nunca mudem."
Durante toda a minha vida foi assim que me portei. Mudança de cidade, novas amizades, mudar a mobília, a cor do cabelo, o modo de vestir, a rotina, mudar até mesmo a folha do calendário ou de canal. Enjoei de algo? Mudei! Cansei de assistir esse canal? Troquei. Fulaninha não me serve mais? Deixei. Todo momento em que me sinto vazia a primeira opção é sempre mudar. Mas porquê?

Mudar cansa! Mudar assusta, desacomoda, faz sentir falta, saudade, dor, e, até mesmo, medo. Imagine que você mudou de cidade, para um lugar menos desenvolvido que o seu de origem. As primeiras semanas são um saco. Então, porque não melhorou seu emprego, seu apartamento, suas companhias, sua vida? Inúmeras mudanças externas, quando na verdade, a faxina deveria ser lá dentro, no intocável, para melhorar tudo o que não convém. Melhorar reanima, revigora, rejuvenesce, traz de volta aquele sorriso nostálgico, a pureza e as boas lembranças. 

Mudar é deixar de se sentir completo. É deixar pra trás os problemas esquecendo que, um dia, toda a dor vêm a tona. "Troquei de cidade" "Aé? Mudou?" "Não, melhorei!". "Desistiu da faculdade é... Mudou?" "Não, troquei porque melhorei!". "Você viu que ele mudou de namorada?" "Não, só vi que com essa nova ele melhorou!". A vida nos convida a passear por ela, descobrindo, a cada dia, em cada calçada, formas de estar melhor, viver melhor, ser melhor.

É da nossa natureza darmos valor ao que não se possui. E isso nem Freud explica. Cansei? Joguei fora. Maldita obsolescência do século XXI... Meus avós contam que histórinha até meio clichê  na época deles, quando um brinquedo estragava, eles não podiam simplesmente jogar fora, mudar, mas sim consertar, melhorar, por isso suas escolhas eram para a vida inteira.

A realidade tem preguiça de se dedicar a melhorar, quando se pode, simplesmente, jogar fora, mudar. Mas, quem sabe um dia a gente aprenda a colocar fé de verdade, a melhorar o que se tem e o que se é, aceitando as vírgulas, deixando de se perder nas reticências, e evitando, se possível, um ponto final. E, tomara que eu aprenda isso também!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Eu nunca...

Eu nunca servi de exemplo para nada. Eu nunca ofereci mais do que poderia dar, ou gostaria de receber. Eu nunca deixei meus medos infantis irem embora. Eu nunca deixei de apagar a luz e sair correndo. Eu nunca aprendi a esquecer. Eu nunca consegui não perdoar. Eu nunca sei dizer "não". Eu nunca deixei de dar colo para os outros quando quem mais precisava de colo era eu. Eu nunca deixei de criar expectativas. Eu nunca cumpri todas as promessas feitas em uma virada de ano. Eu nunca disse que seria perfeita. Eu nunca fui do tipo de pessoa que desiste. E é esse último "eu nunca" que me move, esse último que me faz nunca desistir de ser feliz.  

Perfeição é utopia, mas felicidade é desejo e destino. Pois, em tudo o que a gente vê e vivencia, não existem pessoas perfeitas. Sempre achei quem quer ser perfeito demais um tanto quanto chato, cheio de regras e limites, e assim criando uma barreira para esconder realmente seus milhares de medos e imperfeições. Pessoas imperfeitas são, na verdade, aquelas que realmente são perfeitas. Perfeitas em suas imperfeições, assumindo-se. Qual a graça de conviver com alguém previsível e que nunca erra? Pois o "nunca deixei de errar" pode ser facilmente substituído por "nunca deixei de aprender". O certo mesmo é que temos que viver cada momento, cada segundo, descobrindo-se, redescobrindo-se, mas jamais cobrindo nossos medos e defeitos, pois só assim poderemos dizer "Agora me sinto feliz!", aceitando quem somos, porque somos, e para quê somos. 

Desapegue. Se solte. Se entregue. Deixe fluir. Deixe Partir. Deixe ser. Deixe Ficar. Permita-se. Arrume tempo para você. Arrume tempo para quem você gosta. Arrume tempo para fazer nada. Ame. Desame. Ame novamente. Mas, nunca deixe de se amar! Nunca com medos. Mas, principalmente, nunca com culpas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O velho papo de todo sempre.


Ok, fim de ano é sempre o mesmo papo. "Que o ano que vem traga de volta as alegrias que esse ano tirou", "No próximo ano vou encarar a academia, beber menos, procurar mais meus amigos...", "Ano novo, tudo novo." Mas e dai, será que a gente realmente se empenha para que as mudanças ocorram? Foi o ano que levou as alegrias, ou você que esqueceu de vivê-las? De estampar um sorriso no rosto a cada manhã? Ou melhor, será que essas mudanças são realmente necessárias para as nossas vidas? Será que são tão benéficas quanto imaginamos?

Não falo de se empenhar com sacrifícios, de se de dedicar integralmente a uma mudança drástica. Falo de se dedicar a sorrir, a viver mais de coração. Nos questionamos, impomos milhares de metas, que nunca cumprimos, uma lista de objetivos para o ciclo que está por vir, criamos inúmeras expectativas, e com isso, muitas vezes, deixamos de viver o hoje,  de aproveitar cada sorriso, cada abraço, de fazer com que um dia deixe de ser apenas mais uma folha no calendário, e sim que cada momento seja cada vez melhor, cada vez mais especial.

São incontáveis promessas, zilhões de desejos, mas e a força de vontade? E o desejo de ser, a cada dia, melhor, mais você mesmo? Sendo clichê ou não, uma coisa é certa: As melhores coisas acontecem quando não estamos esperando!


Pare de esperar ser perfeito, agradar a todos, perder kg, ter o corpo daquela artista, o cabelo da outra, o marido dos sonhos, a família perfeita, ganhar na loteria. Pare de buscar a utopia! Chega de rotular tudo, de querer prever o amanhã e as reações das pessoas. Fomos criados distintos justamente para que as nossas diferenças nos completem.


O mundo é um grande quebra cabeças, em que cada pessoa tem seu papel singular. Não, agora não tente imaginar qual é o seu papel, apenas exerça-o. Seja você! É isso mesmo, você mesmo! Ame-se do seu modo, a sua imagem, o seu caráter! Se não está gostando assim, ok, dai é permitido se questionar. Ou melhor, dai é permitido se permitir! Permitir se amar do seu jeito, se aceitar, sorrir e ser feliz. Somos, nada mais nada menos, do que aquilo que emitimos. O que há de melhor, e mais sincero do que um belo sorriso? Deixe que isso defina você! Um sorriso! Chega de complicar a vida! É tudo tão simples... Basta ser de coração!


Permita-se viver o não sei, o talvez. Não falo de inconsequência, de apenas agir sem pensar, mas sim de aproveitar cada segundo, de querer que as mudanças para um amanhã melhor sejam resultados de um hoje bem aproveitado, de um hoje feliz! Se as metas se cumprirem através de regras e "empurrões"? Excelente! Mas se acontecerem naturalmente, como fruto de cada segundo bem aproveitado, de cada bom dia para o porteiro, de cada boa noite para as pessoas especiais, de cada abraço? Melhor ainda! Porque no fundo a gente não quer alterar as coisas, as pessoas, o mundo, a vida. Mas sim fazê-la cada vez melhor, de um modo ou de outro.